Nascimento de uma mãe e de um pai

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Ninguém me disse que o encantamento da maternidade acaba, me falaram das noites mal dormidas, dos banhos adiados, das refeições que são puladas para dar atenção ao bebê. Ninguém quis falar sobre como ficaria meu casamento, minha relação marido e mulher, só me diziam que ficaríamos felizes com o novo membro da casa, que seriamos uma família. Cheguei em casa com um filho nos braços, virei mãe como tanto desejei, estava realizada, feliz, até virem as cobranças, a louça na pia e aquela frase que muito já ouvi ..." trabalhei o dia inteiro enquanto você ficou em casa".

Sim! Seu marido pode nem fazer idéia de como é cuidar de um bebê, pode estar achando que você dá de mamar, troca a fralda, nana o nenê e fica assistindo a sessão da tarde. Meu marido achava isso e eu não sabia porque eu nem lembrei dele, porque eu não pedi ajuda, eu quis ser mãe, quis cuidar da cria sozinha, dar conta de tudo. Porém um dia a gente cansa mais que o normal e fica evidente as olheiras, a irritação fácil. Ele chegava em casa e me perguntava como tinha sido o dia, se ela tinha dado trabalho, eu sempre respondia que não, a falha na comunicação tinha começado aqui e eu não percebi. Ele seguia a rotina dele, enquanto eu intercalava entre o peito e cuidar das panelas, ele muitas vezes pegava a bebê mas acho que pela falta de jeito dele, ela chorava e eu corria e tirava a menina dos braços dele.

Um dia a coisa saiu dos eixos, ele pediu só um pouco de atenção e eu explodi, apontando o dedo e o acusando de não ser solidário comigo, de não me ajudar. Ele também explodiu e só nesse momento pude ver o quanto as coisas tinham mudado, o quão inseguro ele estava. Não tinha me dado conta de que a ajuda tão solicitada, simplesmente não veio por medo, por não saber o que fazer, afinal ele nunca foi pai, nunca cuidou de um bebê. Eu também não sabia nada mas o instinto materno me mostrava o que fazer, mas o instinto paterno não nasceu nele e eu tinha um pouco de culpa por sempre tirar a cria dos braços do pai, por não deixar que ele fizesse nascer esse instinto. Não estou me culpando por tudo, afinal ele podia ter me falado que queria tentar, que queria ajudar mas não sabia como.

Nada que uma boa conversa não resolva, sempre acreditei nessa máxima também, eu quis ser o tudo da minha filha, ele também quis mas não tinha jeito, a distância e a falta de conversa nos levou a isso, nos levou ao nosso extremo. A criança dormiu cedo, a luz se apagou e os corações se abriram, ele se mostrou disposto a ajudar e eu disposta a ensinar o pouco que sei. Hoje ele se sente seguro para acalmar sua filha, se sente disposto a ficar com ela enquanto eu faço a janta, dou uma geral na casa, tomo um banho demorado ou simplesmente relaxo um pouco assistindo tv e eu vi o quanto estava sendo egoísta com ele, com ela, com nós dois. As coisas entraram na linha, a criança esta mais feliz, nós dois voltamos a ser um casal, delegamos um tempo para nós dois, não falamos mais só de fraldas e bebês, bastou somente uma conversa para que os medos fossem superados, as tarefas divididas e o amor ser renovado ... Antes éramos apenas um homem e uma mulher com um bebê, hoje somos mãe e pai.

8 comentários:

  1. Espera ter o segundo. A gente acaba pirando com tanta responsabilidade e o casamento entra na berlinda de novo. Pq é tudo isso que você relatou só com o diferencial que eles acham que você não precisa mais de ajuda.
    Mas hj eu faço diferente, em vez de perguntar se ele pode ficar com o bebê, eu simplesmente coloco no colo dele e falo: agora é a sua vez e aproveito e faço as coisas pra mim. Ele acaba tendo que "tomar conta" dos dois enquanto eu relaxo um pouco. E não me sinto culpada pq ele chega, as crianças estão limpas, a casa está limpa e arrumada, o cesto de roupas está vazio. Nada mais justo do que eu ter meu tempo. E ele o tempo dele de ser pai, estou ajudando-o a fortalecer o vínculo entre ele e os filhos.

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    1. Agora tenho feito isso também, largo no colo e digo, começou teu turno kkkk agora as coisas estão mais leves e um cooperando com o outro. Beijos

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  2. Que texto lindo Mika!
    Eu tenho muitas preocupações quanto a tudo isso, mas vamos aprendendo com nossos erros né?
    Espero que a cada dia vocês criem mais intimidade e consigam conversar sempre!

    Bjus

    http://esperando-esperar.blogspot.com.br/

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    1. Verdade, precisamos errar para aprender, mas vamos levando a vida. Beijos

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  3. Ah que lindo relato! Acho que uma boa conversa resolve tudo =D
    bjss

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  4. Oi Mika

    Nascimento de um filho dá uma abalada mesmo. E não por falta de amor, mas pela realidade completamente diferente.
    Que bom que as coisas se ajeitaram. Sofia precisa de vocês unidos.

    Bjs!

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    1. Sim tudo esta nos eixos agora, o nascimento de um filho muda tudo mesmo mas vamos aprendendo uns com os outros. Beijos

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